quinta-feira, 20 de maio de 2021

Passado areia


Posso dizer por mim que vejo o tempo passar, o passado já foi, mas deixa marcas.
Onde o passado se encontra?
Posso ver o passado na minha pele, recordações de cicatrizes que agora são somente memórias.
Não escuto muito sobre o passado dos meus pais, nem dos pais dos meus pais, nem dos avôs dos meus pais.
Mesmo assim sinto que carrego comigo cicatrizes de um passado que me foi herdado, vindo de um outro continente.

Olho em minha volta e posso ver as cicatrizes nas paredes, posso ver histórias, posso sentir o movimento da terra, o crescimento das plantas e um passado que não me pertenceu, mas que existiu e não é falado nas escolas.
Um passado no meio de vários outros.
Um passado ao lado de vários outros.
Um passado e vários outros.

Barrinha de baixo é uma comunidade que fica em Acaraú, Ceará
Lá existe histórias que estão se perdendo aos poucos, um passado que ainda existe, não na cabeça, não nos corpos ou na fala, mas na terra. Registro do movimento, da passagem de pessoas, dos relacionamentos. Passado esse coberto pelo presente de forças humanas e naturais, mas que ainda deixa cicatrizes.

A força do vento, a luz do sol, o som do mar, a água da chuva, a inquietude humana e as ruínas.




















Esse sentimento nunca escolhi ter, mostrou sua face ainda quando era criança



Eu tenho medo

Infelizmente eu tenho medo

Nasci num tempo onde humanos matam humanos por poder, mas não somente humanos

Medo instaurado, enraizado por gerações, medo que se revolta

Medo de mergulhar no mar nas noites de lua nova e me perder num espaço infinito, passando toda a eternidade sem poder ver ninguém, pensando de tudo a todo momento

Será assim a energia consciente após a morte física?

Me dá medo torcer o tornozelo quando ando pelo meio fio, mas não tenho medo de deslizar de skate no asfalto

Tenho medo de me arranhar

Tenho medo de uma ditadura, das pessoas em minha volta, da polícia e de mim

Tive medo inúmeras vezes de nunca mais poder ver quem amo de novo

Tenho medo de perder a Aquaria

Tenho medo do que pode acontecer com meus pais

Medo de pensar que não viverei para sempre

Não tenho medo da morte

Tenho medo de não poder amar mais quem me ama

Tenho medo de que alguma agência espacial encontre um planeta habitável para humanos

Medo de que no futuro as novas gerações não possam ver as estrelas

Medo de dormir com a porta aberta

Já tive medo de não conseguir voltar mais a respirar direito depois de tanto rir

Reconhecendo esse sentimento

Pulei da ponte metálica

Abracei um desconhecido

Dancei na praia

Cantei alto no ônibus

Comi várias comidas estranhas

E

Ri do medo




Guitarra en la cocina



.
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quarta-feira, 3 de março de 2021

17/02/2021

Para min 2021 começou no dia 9 de janeiro, mais ou menos as 3h do horário de brasília.
Os fogos estouravam em todo o meu corpo, a ansiedade de um novo ano. Mistério e incerteza de como tudo vai ser nessa nova etapa do mundo. Qual o significado de um novo ano? Sinto que já vivi uma vida, num tempo atrás, de descobertas territoriais, do medo do escorbuto, medo do homem, de como a humanidade seguia num ritmo estranho. 

Queria nesse momento pode ter minha própria medida de tempo.

No decimo dia do meu ano novo vimos no céu uma estrela cadente
Estrella fugaz 2021, año de suerte

Sinto estar vivendo o mesmo tempo atrás, descobertas espacias, medo do corona, medo do homem, de como a humanidade seguia num ritmo estranho

Chega um momento em que você percebe de que lado está, do que você quer pra vida
Talvez chegue esse momento várias vezes na vida
Talvez nunca chegue
Talvez chegue noutra vida

Vida

Sentir vida em cima da carroceria de um caminhão a 80km/h
Tomar banho de mar
Escutar bêbados num bar
Falar com um estranho

(Apesar de não se entender nada por causa da máscara)

Suerte

No mês do calor abafado, próximo do tempo das chuvas de fortaleza foi que mais uma vez la estrella fugaz tinha poder, tinha força, tinha energia. Carnaval, amigos, amor.

Antes tinha medo de pensar que Andrômeda poderia colidir com a Via Láctea
Hoje penso que será uma fenômeno incrível.

Meu ano começa quando toda uma energia de um corpo singular no espaço, de matéria e forma que ativa todo meu sistema neural responsável pela estética, entra em colisão com o meu corpo.

Laura

Um abraço desejado por vários tempos diferentes, que cruzou várias fronteiras que antes não existiam.
Tão lindo quanto juntar dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio.
Vida de novo, tudo flui num vai e volta de tempestades e calmarias. 
O mundo todo e todo mundo em transição a todo o tempo.

26/02/2021

Me lembrei de quando eu não tinha celular, quando não havia a chance de ter celular na vida naquele momento. Era uma criança, a comunicação era mais verbal, havia ação de verdade. Ganhei um celular e era algo novo pra mim. Meus pais me matariam se eu não atender o celular e eu simplesmente me esquecia ou não dava atenção por não ser do meu costume olhar o celular. Eu gosto da tecnologia, mas não gosto ficar preso por ele. Hoje sinto que ficou normal ter que olhar o celular a todo instante, ter que responder a todos e em vários momentos do dia. Sinto que não estamos mais vivendo como antes. Agora vivendo para manter a imagem que criamos nas redes sociais. Vejo crianças que nasceram no momento selfie, mudam de cara triste para feliz ao ver uma câmera de celular. Sinto estarmos sendo guiados por padrões que adotamos sem querer. Quem somos sem celular?


03/03/2021

O governador do Ceará, Camilo Santana decreta lockdown para o estado. Não somente eu, mas meus amigos e pessoas próximas estão com medo, bem, algumas não, mas percebo o amor e preocupação das pessoas de diferentes formas. Caio manda videopoesia para Laura, Gabi vai estar na polícia federal amanhã. Eu e a Laura já não queremos mas estar em casa. Queremos pessoas, não somente ver, mas ouvir, sentir o cheiro, ver a saliva sair da boca do amigo de tanto falar, saudade, temos saudade de falar de nossas vidas, o que pensamos, queremos ser ouvidos, não somente por um, mas por algumas pessoas que queremos perto, queremos que nos conheça para que possamos ficar mais próximos. Mostrar as músicas que escutamos, lembrar dos shows e aglomerações, essas bem suadas, muita dança, pessoas cantando a mesma música, sorrindo uma para outra. Foi muito estranho não poder ver mais os lábios das pessoas. Até os sorrisos dos olhos deixei de ver. Comprei uma pizza no uber eats por 4 reais.



segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Noites sem sono

Escrevi na minha cabeça e não gostei
Escrevi no meu caderno de capa negra e senti que não era alí
Estou escrevendo no computador
Mas também não era aqui
Caio me falou que não consegue escrever primeiro no computador ou algo assim
Não escutei bem por estar me deleitando a voz de Gilberto Gil ao cantar a música viramundo.




Escutando Mercedes Sosa, me lembro de quando achei os discos dela e do quão empolgado fiquei para escutá-los. Tive alergia, mas voltei pra casa sorrindo. Me lembro também de quando escutava esse disco com a Laura, de quando na minha primeira manhã em Buenos Aires escuto uma voz semelhante numa música e pergunto a Vale: és Mercedes Sosa? E ela me disse que não. Me lembro desse disco ter estado nas mãos do Kiko e de o mesmo ter feitos boas memórias.

Sinto muita curiosidade sobre quem surgiu primeiro, a música ou o verbo? Se for a música, porque deixamos tanto de nos comunicarmos pela música? Parece ruim na minha cabeça pensar que poderíamos viver numa realidade semelhante aos musicais da Disney. Mas por um lado me encanta cada voz que por mim eu gostaria sim que a Mercedes Sosa me cantasse trechos do livro Las Malas de Camila Sosa Villada enquanto faço um mate, me sento (porque sei que vai ser pedrada) e tomamos mate juntos, eu, Laura, Mercedes e Camila.




Acho lindo como Caetano é olhado por Chico e Milton em exatamente 1 minuto e 43 segundos no vídeo e no Carinho que Mercedes tem ao tocar nas costas de Chico. 

Salvei no rascunho e só abri para continuar escrevendo agora, alguns dias depois. Corrigi umas coisas que quando for ler depois não sei se vou me lembrar, talvez no futuro eu gostasse mais do jeito como estava antes. Mas enfim. Ja foi.

Escrevo no celular agora, não queria lavar a louça suja de uma semana, não queria ver vídeos e nem ouvir música, comecei a ler e logo minha cabeça distraída se lembra que pode haver o aplicativo do blogger e eu poderia continuar o que estava escrevendo. Cheguei agora a esse ponto. 

Não sei o que escrever e estou só enrolando tempo por não conseguir dormir. 
Queria a Laura aqui para perder todo esse tempo olhando para ela. 



Música para escutar depois de ler





Borboletas

 


domingo, 20 de setembro de 2020

Não passa tempo



Passa tempo, passa vento, num passa nada
Passa raiva, gato e avião
Num passa
Num passa nada
Passa pensamento
Passa emoção
Passa tudo
Menos minha razão
Estou sem estar
Quero que passe a saudade
Passe
Mas passe devagar
Quero ver teu caminhar
Passa perto
Não passa tempo

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Num gole de vinho tinto

 

Parte I

Peguei a topic 13. Saí do Benfica. Sentei no lado da janela e fiquei olhando meu reflexo no vidro, ao fundo desfocado, ruas, árvores, muros coloridos, muros monocromáticos, asfalto, faixa branca, faixa amarela, outros carros, motos, ciclistas, o barulho da tampa de esgoto que se repete sempre que um carro passa. Todos passam na mesma velocidade por ter foto sensor, do contrário o ritmos dos sons da tampa de esgoto séria diferente. Já parei pra olhar uma tampa de esgoto numa rua sem sinal ou foto sensor, eram sons lindos. Em volta os sons das árvores, sempre verde, eucalipto, palmeira real, pé de tamarindo, mangueira.

 O vento.


- Corta! Show galera, deu muito certo. Enquadramento ta ok? Ei e o som, saiu massa?


- Ta massa, deu certo sim. Teve um pássaro que cantou mesmo na hora das árvores que deu muito sentido pra cena.


- Pois galera, deu certo, vamos descer na próxima parada, fazer um lanche e falar um pouco sobre a cena de hoje beleza?


- Sim, tranquilo, ainda bem que deu certo agora, ja tava com fome.


Sorri, sorri de um jeito estranho, tipo como se eu quisesse ser amigo sem querer. Ele é uma pessoa legal, mas não tenho vontade de ter ele como amigo, estou bem com os meus. Mas por outro lado talvez ele me chame pra fazer mais filmes, acho que nos damos bem, talvez minha personalidade se enquadrou bem com a personalidade do personagem. Foi fácil ser eu mesmo. Mas eu sou assim? Como sou então?


Minha mãe, quando eu era criança, me dizia para ser arquiteto, engenheiro, advogado ou médico, as outras coisas não prestavam, era tempo perdido. Não conheci meu pai, mas acho que não me interessa muito conhecer. Não digo isso para outras pessoas que não tem pai. Antes não sabia porque, hoje só os vejo como homens que vive numa sociedade muito errada e que se aproveita dos privilégios do gênero. Enfim, fiz teatro, tive um irmão no meio desse processo e agora minha mãe diz pra ele ser advogado. Moro numa casa...

Espera, é necessário que eu diga tudo?


Cena 5 - Dia - Praia


Davi dança na areia fina, seca e clara (pensar num nome para o personagem onde a mãe seja como a mãe do personagem). Areia da praia, por do sol, água brilhante, mar calma, sons lentos das ondas, vento constante de baixa velocidade. Fade in. Davi está sentado na areia, canto inferior direito, pessoas passam, praia dos crush, ele olha pro mar, mas o enquadramento é ele de costas pra gente. De repente ele se levanta, solta suas coisas na areia e dança ao ritmo das ondas. Som ao experimental. Chama o Johnathas pra fazer esse som contigo viu Rafael?


- Beleza, tranquilo. To com umas viage em mente aqui que vai da bom.


- Massa, pode crê, boto fé.


Parte II


Corri até não aguentar mais.

Ofegante, tentava olhar pra trás e ver o que tinha acontecido aos outros. Tenho vontade de voltar e chegar na vuadora e derrubar pelo menos um. Se eu for preso por ta um beck minha mãe me mata. Ia ficar passando na minha cara que sou negro, que a polícia vai me matar, se me pegarem, ainda mais com droga, diria ela. Vou aguardar mais um pouco.


- Ei Davi, porra má, o RAIO quase me pega man. Tava só com uma bia no bolso.


- Macho eu vi de longe e ja peguei logo o beco, quando começaram a vir pra cima com os cavalo, eu ja tava era na calçada.


- Ta dando pra fumar mais aqui não véi, fumar la na praça da rua mesmo.


- Pior que lá é perto da delegacia.


- Ha mas lá a policia de lá num faz nada, os otro é que embaça, mas nada pior que aqui. Cadê que foram na direção daquela gringaida que tavam fumando ali também?


- Ja falei pra gente chegar com pal e pedra num movimento geral de negros.


- Porra mano, to pra fazer um molotovizim só pra eles vê o que é bom, pior que aqui vejo nego em todo canto, se fosse meno branco eu nem pensava.


- Ei, bora voltar lá e ver se não deu problema pra ninguém lá.


- Bora bora, de leves.


- Beleza, qualquer coisa a gente corre pra água.


- Ta chei de rosa hoje na praia, cuidado pra tu num achar que é outra coisa kkkk.


Parte III


Numa roda de conversa entre amigos, escuto no meu pensamento uma ideia, poderia eu escrever a história do Rafael? Um menino que faz teatro na UFC, a decisão de escolher o curso de teatro foi muito difícil por causa do que sua mãe queria, só tinha a mãe, o pai os deixou quando soube que ia ser pai. Teve um irmão depois, sua mãe se casou com outro cara do qual o Davi e ele não se davam bem e nem se falavam. Davi não era de falar muito, mais observador. Ao entrar no curso de teatro foi mudando um pouco isso e brincando de ser personagens na rua, no ônibus, na vida. Negro, morador de periferia, dificuldades de transporte público para acessar locais mais centrais. Tem amigos que estudam cinema e juntos tem um coletivo de produção audiovisual voltado para um produto que possa se comunicar através da interdisciplinaridade das linguagens. 


Morava com a mãe, agora divide uma casa com um amigo.


Fim


(Parte 3 poderia ser o protagonista imaginando como se fosse ele criando uma historia ja criada que era a vida do amigo.)


Parte III

Numa roda de conversa entre amigos, escuto no meu pensamento uma ideia, poderia eu escrever a história do Rafael? Poeta? Já o vi escrever muitas vezes. Acho que tenho até aqui no celular algo que ele escreveu.


Poesia rima


Rima minha visão


Tu só de calcinha


Eu de samba canção


Teu beijo por cima


Nós dois no chão


Que merda é essa, a quem quero enganar? Poxa, não consigo escrever coisas boas.


Amassa joga dentro da mochila e pensa, será mesmo que tava ruim?


Claro que tava. Mas e se alguém gosta?


Essa pessoa deve ter mais problemas que eu.


Estou buscando me reconhecer. De repente percebi que muitas das minhas ações atuais me definem e elas devem ter vindo de algum lugar. Percebi que fiz questão de apagar memorias do meu passado pra me livrar da pessoa que eu achava horrível a cada dia que passava e tinha noção das minhas ações. Fui e ainda sou uma pessoa estúpida que acredita estar aprendendo a toda hora e que o passado não é nada mais do experiência. Acessar essas memórias que queria esquecer esclarece essas ações idiotas atuais. Hoje percebo meus traumas, como reverter isso? Fui abusado quando criança, fiz bullying, fui rascista e homofóbico.


(Personagem chora muito e fica com a sensação de estar sem chão).


Olha pra mim hoje, não consigo dizer aos meus pais sobre meu namorado, moro numa casa arriscada a cair, devia ser médico, arquiteto ou engenheiro como minha mãe queria, não sou e acho que não vou ser.


Como cheguei até aqui?


Você que lê, está lendo e se fazendo essa pergunta?


Imagine agora você escrevendo.


O que escreveria?


Asas




 


sexta-feira, 24 de abril de 2020

Eu, José, Iara e o Infinito




Eu fiquei pensando por um bom tempo em como posso saber onde inicia minha história.
Para mim foi do mar
 Essa água metafórica
De movimento harmônico com os corpos celestes

Pude pela primeira vez só, sair de casa
Corri até minhas pernas tremerem
Enquanto corria 
Sorria

Cheguei na praia, tirei meus chinelos, corri até chegar no mar
Pisei na areia, meus pés afundaram, sentia muitas pedrinhas nos meus pés
lisa, enrugada, caraquenta, pontudas, arredondadas, grande e pequenas
Uma onda chegou, molhou meus pés
Papocavam bolhas de água nos meus pés
Um som semelhante a de um peixe sendo torrado numa caçarola com óleo bem quente
Ela escorre e sinto o movimento dela passando entre todos o meus pelos da perna

Salto
Mergulho
Abro os olhos
Não vejo nada, é silencioso
Sinto a vida

Alí

Naquele infinito mar que esbarra no céu
Me dá medo por não saber quem ou o que está perto de mim
Se é grande ou pequeno, se vai tentar me morder ou não
Numa posição semelhante a essas imagens de fetos humanos com 9 meses
Sinto as ondas e os movimentos
Tive medo, tive amor, tive desconfiança. tive coragem, tive confiança

Um onda grande

Girei

Nadei pensando que a qualquer momento me chocaria com a superfície de cima ou de baixo
E nunca pensei no que aconteceria comigo se eu nadasse para os lados
é como o infinito
Não sei dizer se estou nadando rápido ou lento
Se saí do lugar ou não
Não sentia meu corpo
Levitei até me chocar na superfície de cima
Senti tudo aquilo por um minuto e vinte e três segundos

Olhei para o céu e ele não era mais o mesmo que antes do mergulho
Era uma noite estrelada
A lua cheia iria surgir do meio da escuradão entre o mar e o céu.





Saí do mar com a roupa ensopada, cabelos nos olhos, lábios salgados
Sentei na areia ao lado do José que olhava o mar com olhos fixos
Já sabia o que iria fazer assim que a lua resolvesse aparecer
Nesse momento sentia que cada ponto luminoso no céu me observava
José e eu ficamos calados o dia todo, foi uma escolha difícil
Ele só queria observar o mar mais uma vez

O mar sobe e a lua também
Tiro os troncos de carnaúba de baixo da Iara
José solta a vela
Empurramos com toda força
Logo estamos em alto mar
Na minha sacola

- Um caderno;
- Um lápis;
- Um canivete;
- Uma lanterna;
- Algumas conchas;
- Uma gaita;
- Uma foto da praia.

Sempre que vamos pescar José leva uma laranja
Na bolsa dele deve ter uma laranja
O que ele poderia levar mais?
Eu não sei.




O vento nos empurrou com tamanha força que levantamos voo
Subimos alto em direção a lua
Sabíamos que em questão de minutos estaríamos passando por ela
Tivemos alguns problemas com os ventos do norte
Mas a Dona Livia que mora na esquina da praia já fez uma viagem alta assim e nos alertou
E quando tudo estava mais calmo, saindo da atmosfera
Quer laranja?
José falou
Quero
Eu disse




Depois que passamos da lua, pegamos uma corrente de luz muito forte
Numa velocidade inexplicável saímos pra procurar luz num universo escuro.

Deitados na areia da praia, olhando as estrelas, eu e o José pensamos em conhecer outros planetas.
Ele falou que sonhava com isso sempre que jogava a rede no mar
Eu falei que sonhava com isso desde que pisei na areia da praia a primeira vez.





terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Bebi água e engoli seco

Quando eu era criança
eu não me importava com a roupa do meu amigo
a cor que ele tinha
na forma como ele andava
maior que eu ou não
pintinha ou piu-piu

Agora lembrei do como gostaria de saber a origem de cada palavra que escrevi até agora.

me diziam
se não for isso
não vai ser aquilo

                                                  Menino brinca de boneco, bola e de pião
                                                  Menina brinca de boneca, bebê e de fogão
Eita que ta cozinhando bem, já pode até casar.
Casar? que diferença faz a boneca do boneco se tudo é gente?

Aí, algumas coisas começam a me incomodar:
(A) Porque tenho que ser legal com familiares que não gosto?
(B) Porque tenho que ser mais gentil com brancos e ricos?
(C) Porque tenho que acreditar no que a pessoas mais velha diz?                                                              (D) Eu vou mesmo ter que casar?
(E) Todas as opções anteriores?

Por um tempo pensei que tinha sido picado por um bicho que me fazia pensar.
Chegou um dia em que eu parei e pensei sobre minhas atitudes.
Chorei, choro e chorarei sabendo que há muito para mudar.

                                                                                                    Hoje eu cansei
falei alto com homem
que falou na minha frente
que não iria nem mentir pra não ficar preto

Ei, essa piada não foi engraçada, qual o problema em ser preto?

Sorriu e saiu da sala


R: (E) Todas as opções anteriores
Aí, algumas coisas começam a me incomodar.






                                     

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Oi tudo bem? Qual o teu signo?

Se a música é feita de padrões na maioria das vezes, podemos então dizer que saberíamos a personalidade de uma pessoa pelos seus gostos musicais? Padrões de pessoas, grupos sociais, ritmos musicais, instrumentos sonoros.
                                                        O ritmo da música define o ritmo
                                                    de vida da pessoa?
Se a pessoa tem ritmo, quer dizer que ela dança o tempo todo?                                      
Então, os movimentos do dia a dia é uma dança.
                        Varrer a casa, lavar a louça, correr atrás do ônibus, pisar na poça água na rua.
Rotina
Quando na história da humanidade abrimos a boca para cantar?                                       
Quando na história usamos o canto para nos comunicar, nos expressar?
Quando o cinema, fotografia, teatro e performance passou a ser forma de comunicação?
Quando nós ficamos fascinados com a imagem em movimento?

Penso que, talvez, a muito tempo atrás ficamos fascinados ao olhar nosso reflexo na beira do rio, das cores do céu, do canto dos pássaros, da luz do relâmpago e da linda sombra que essa luz pode fazer.
Será que logo após nós nos acostumarmos com o fogo, brincamos com nossas sombras?

Quando pensamos a estética? 
                                                                                       E o que mais temos para o futuro?
O fascínio pela evolução de matérias compostas de carbono?

Quem foi a primeira pessoa que sorriu no nosso planeta?
Como foi essa risada? De cantinho de boca ou uma gargalhada?
E o que causou essa risada?

Quando na evolução do universo as moléculas começaram a condensar?                                
Quando vamos discutir sobre o cristianismo e manipulação? Quando não vai existir xenofobia, homofobia, racismo? 

Quando vamos ser considerados como um só, sendo chamado pelo nosso nome, uma fonética unica que te chama atenção, que descreve quem é você. Quer dizer, quando o meu nome diz quem sou? Quando na história as pessoas foram muitas e cada uma delas tinha uma fonética que a descrevia, que era lembrada, que o nome passava um sentimento? Talvez com um som emitido pela minha voz pode te chamar atenção como também te dar prazer.

Quando pensamos no prazer, porque gostamos tanto? 
Quando as pessoas se dividiram? Umas acreditando no inferno 
e outras não sabiam nem o que diabo era inferno.

Quando pensamos que eramos o centro do universo e porque? 
Nós somos menos que um grão de areia no meio de todo o deserto do Saara.

E pensar que até os planetas tem nomes, quem deu nome a eles?
Porque nosso planeta não é planeta água?
Adoro água

Mas fico feliz de pensar que se chegarmos a estarmos vivo a um ponto que viajaremos pelo espaço descobrindo outras formas de vida, estudando forma de pensar, culturas, forma de comunicação e de repente um ser vivo se comunica perguntando de onde somos, diremos planeta terra?

Imagina só uns seres que se comunicam movendo os seus órgãos respiratórios.
Tipo a posição das orelhas dos cachorros, do abanar do rabo, da forma como o peixe beta interage com outro peixe, da cor do camaleão, do miado do gato.

Como é seu planeta?
Uma rocha pequenininha e quente, mas não tão quente, com um magnetismo por conter muito ferro, possui um líquido em abundancia que chamamos de água que tem facilidade de transformação, sólido, liquido e gasoso, por isso temos ela naturalizada das três formas. Evoluções que tem carbono como elemento em comum. Hidrogênio em abundância. Muito lindo o planeta, ele todo evolui, como o que chamamos de ser vivo. Rotações em torno de uma estrela, um satélite natural bem próximo que ajudou na evolução da nossa espécie e de tantas outras no nosso planeta.

Ou vamos quebrar a dimensão do tempo e sermos quem quisermos e quando quisermos?
O que chamaremos de vida?

Um personagem de um jogo 2D, que vamos ser manipulados por um outro ser em uma outra dimensão e não vamos nos lembrar quando morrer e voltaremos de novo para iniciar a mesma trajetória de novo.

Ou eu de 2014, forma temporal elegida por humanos num determinado período da evolução do universo, cabelos longos e negros, cacheado, negro, sem barba, corria muito, adora subir em árvores, visita sem avisar a casa de humanoides que chama de amigo. Nesse instante desse universo a palavra amigo tinha um sentimento especial para mim, um sobrenome.

Ah ela? Ela é minha amiga.
Migo, amanhã vai da certo.
Amiga mulher, nem te conto.
Amiga, pare, ta passando vergonha.
Esse cara aqui é meu brother.
Minha melhor amiga.
Amigaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Somos todos hermanos.
Hola parce!

Que lindo são as palavras, que lindo que usamos elas para nos comunicarmos e transmitir assim sentimentos.

A dança, a fotografia, o cinema, a pintura.
A natureza
O universo
e o que houver para depois do universo, se é que existe um depois.

Fico triste de pensar que talvez eu não consiga ver a evolução do nosso planeta, do nosso universo, porém me deixa mais tranquilo quando penso que vi a metamorfose de uma borboleta. Essa borboleta tem nome, então tem sentimentos, é um ser vivo, como a terra? Ou só porque segue padrões tem nome? Pela evolução? Por ter características? Por ter personalidade? Mas o que é personalidade?

Ta parecendo teste de personalidade do facebook, kkkk, escolha três bandas e diremos sua personalidade. kkkkk Voce é curioso, criativo e preguiço. 

Oi tudo bem? Qual o teu signo?




sábado, 8 de fevereiro de 2020

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Bicicleta




Naquele dia pedalando o tempo era outro
Naquele dia pedalando o sol era outro
Naquele dia
Pedalando
O cheiro do mato era outro
Eu era outro