sábado, 1 de fevereiro de 2020

O que há de errado?

Me perguntei pensando sobre o porque das pessoas matarem outros animais. Aqueles que aprendemos a não gostar. Mosquito, rato, barata. Potó, lacraia e escorpião. Será que é só pra aumentar o ego humano, já que não os comemos? Sentimento de superioridade sobre algo, de poder. Que ruim sentir poder sobre outro ser vivo. Sobre a decisão da vida e da morte, do destino. De ser esmagado, pisado, queimado, envenenado, asfixiado, enterrado, afogado, desmiolado, atropelado, linchado. Doenças? Nós humanos somos um saco plástico, amarrando outro saco plástico cheio de plástico dentro de uma caixa de plástico cheio de isopor e enroscado de plástico, algodão com plástico, suco de plástico, minha cabeça de plástico. Penso na raiz da árvore da esquina da minha casa que tinha uma forma de carinha fofinha sorrindo pra mim. Certo dia passo de bicicleta dobrando essa esquina pergunto: O que fizeram com a árvore? Resposta: Arrancaram porque os passarim cagava nos carro tudo. Vi cada trepadeira mais inteligente que gente. Se põem mais venenos nas frutas a gente come mais, Ai se põem veneno, isopor e plástico. Hmmm melhor ainda. Quer mais refrigerante filha? Não, agora vou beber um pouco de suco, meu personal trainer disse pra eu tomar mais suco se eu quisesse uma vida mais saudável. Pode pegar na geladeira pra mim? Aquele da caixinha verde? Porque adotamos mesmo esse sistema de viver? E agora a pergunta que não consigo obter resposta. Porque mesmo não tiramos essas pessoas do poder? As vezes choro pensando sobre o que estamos fazendo com nosso planeta e com nós mesmos. Acredito que a terra é danada, tal hora ela estoura e diz: Acabou a palhaçada. Gostaria de poder conhecer outras sociedades fora da terra. Será que já nos enviaram sinais de vida e que não identificamos, porque não era o momento? Será que quando os sinais chegaram a terra nós éramos apenas uma célula fraca numa tentativa de se dividir? água? Toda a água que percorre do Lago da Viúva passando pela Granja Portugal Bom Jardim Conjunto Ceará e São Miguel nomes compostos da mesma água que corre até o Rio Ceará. Toda água toda água toda água toda água toda água toda água toda água toda água toda água toda água toda água toda água toda água toda água do Rio Maranguapinho que também deságua no mar. Caçambas de água e lixo. Passei de ônibus ao lado do rio e as coisas que tinha dentro poderia mobiliar ou mobilar ou mobilhar minha casa. Sofá, fogão, geladeira, TV e um animal num saco plástico. No ônibus um homem falava enquanto olhava pela janela com suas lente amarelas e olhos com as bordas das córneas brancas. Olhaí, o ruim é que daí não se salva nada. A mulher que estava atrás ouviu e falou: Quando eu era criança tomava banho bem ali onde tem um esgoto. Novamente o home volta a falar com uma frase que faz as pessoas atentas do ônibus pararem um pouco pra pensar sobre o meio onde vivem. Era bom demais, agora que ta tudo pegando fogo, nem pra molhar a mulera duma criança presta. Olha, gosto de ver o crescimento de uma semente, de tocar numa jaca, de sentir o sabor e textura de der uma graviola na minha língua, de ver os olhos das cabras fixamente durante horas, dos raios do sol que atinge o couro da tijubina e reflete nos meus olhos, de ouvir o canto do corrupião de cabeça para baixo numa folha de coqueiro, do sol e da chuva, de entrar no mar até metade da canela e enterrar meus pés na areia e esperar a próxima onda vir mover a areia e me ajudar a enterrar mais um pouco. Pra mim o Bem-te-vi diz Vai-da-certo.

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